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Um brinde às cervejarias artesanais

cerveja artesanal

NUNCA SE BEBEU TÃO BEM NO BRASIL E A TENDÊNCIA É MELHORAR AINDA MAIS

Quando o assunto é a tão querida gelada de todas as ocasiões, fica difícil tirar da cabeça a brilhante frase do jornalista Ronaldo Lemos. Em matéria da revista Trip de janeiro deste ano, disse ele a respeito do mercado cervejeiro no País até o fim do século XX: “O gosto das cervejas brasileiras era tão variado quanto os tipos de vegetação em um campo de futebol”. Sublime. Afinal, se hoje temos diversidade e produtos de altíssima qualidade, até pouco tempo atrás, as opções nos faziam, no máximo, trocar seis por meia dúzia.

Foi nos últimos 10 anos que o mercado começou a mudar para melhor. Surgiram rótulos, sabores e variedades para todos os gostos. Essa verdadeira revolução teve dois motivos principais. O primeiro é o acesso às informações. Há 10, 12 anos, era difícil encontrar literatura a respeito da produção de cerveja. Hoje, em questão de segundos, é possível encontrar ,na internet, milhares de páginas sobre o assunto. O segundo motivo é econômico, como explica o empresário Lucas Berggren: “Com a valorização das moedas estrangeiras, a cerveja importada não consegue chegar aqui hoje por menos de R$ 20,00. Isso beneficia o produtor nacional, porque nós pegamos uma fatia desse mercado”.

Lucas abriu sua microcervejaria, a Berggren, no fim do ano passado. Com produção de 120 mil litros por mês, ele diz que nem os altos impostos têm segurado o ímpeto dos pequenos produtores. “A cerveja importada entra no país com imposto de 35%, enquanto a nacional paga 57%. Mesmo assim, a cerveja importada ainda fica mais cara do que as que são produzidas aqui”.

Com isso, ganha o consumidor, que está bebendo melhor e adquirindo produtos com preços cada vez mais acessíveis. Um território propício ao crescimento e que tem difundido em ritmo acelerado a produção de cerveja em pequena escala. “Hoje temos boas microcervejarias no mercado, fazendo produtos especiais, artesanais e gourmets. São ótimas cervejas, que alimentam uma concorrência saudável e fazem o mercado continuar em expansão”, analisa Lucas Berggren.

FAÇA VOCÊ MESMO

A procura de pessoas interessadas em fazer cursos para produzir suas próprias cervejas, em casa, também deu um salto nos últimos anos. Julia Reis, sócia-proprietária da Sinnatrah Cervejaria Escola, em São Paulo, confirma esse movimento inédito no Brasil. “No começo do Sinnatrah, há 6 anos, fazer cerveja em casa não era um hobby tão difundido, então a gente tinha apenas um curso por mês. Era o curso de janeiro, o curso de fevereiro. Hoje a gente tem, pelo menos, 3 turmas por mês. Triplicou”.

É compreensível esse aumento tão significativo. Não bastasse os rótulos inéditos que pipocam nas prateleiras, há um movimento de desmistificação da produção artesanal de cerveja. “Dá para reproduzir em casa tudo o que há em uma cervejaria, usando fogão comum e geladeira convencional. Ou seja, os eletrodomésticos envolvidos todo mundo já tem. Já as ferramentas extras e utensílios, como panela, fermentador, colher, termômetro, essas coisas básicas, custam a partir de R$ 600,00”, conta Julia.

Malte, lúpulo, levedura? O curso para iniciantes do Sinnatrah aborda cada um desses ingredientes e funciona “como um encurtador de caminho para quem quer aprender a fazer cerveja. É um curso que ajuda as pessoas a entenderem mais sobre a bebida, mostra os insumos, os processos e o que é mito e o que não é quando o assunto é boa cerveja”.

O fato é que, seja pelas microcervejarias, cursos ou até clubes de assinatura de cervejas, temos cada vez mais acesso a produtos melhores, com preços justos e que são verdadeiros fermentos desse mercado em plena expansão. Parodiando a frase do jornalista Ronaldo Lemos, eu diria que, hoje, o gosto das cervejas brasileiras é tão variado quanto os tipos de vegetação da Mata Atlântica. E isso merece um brinde. Ou talvez vários…