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O mundo perdido do Monte Roraima – relato de um viajante

monte roraima

O livro que inspirou Steven Spielberg a criar o Jurassic Park chama-se The Lost World e tem o Monte Roraima como protagonista. Ele foi escrito por Arthur Conan Doyle em 1912. Passados mais de 100 anos, parece que nada por lá mudou.

Por Maurício C. Gomide

Quem viu esse lugar incrível em diversas cenas da novela Império, da Globo, não imagina que para chegar lá são necessários três dias de caminhada para ir e dois para voltar. Ao todo, são mais de 50 km batendo perna entre subidas intermináveis, trilhas de terra, caminhos de pedregulhos e alguns rios. O início da jornada é na aldeia indígena de Paraitepui na Venezuela. Mas minha namorada e eu começamos nossa saga muito antes de chegar lá. Primeiro, uma hérnia de disco a tirou de campo por mais de um mês, fazendo com que adiássemos nossa partida de dezembro para abril. Depois, pouco menos de dois meses antes de viajarmos, um acidente de moto me deixou com o dedão do pé quebrado e a dúvida se eu conseguiria me recuperar a tempo.

Não viajei 100%, mas em condições de enfrentar o que vinha pela frente. Foram três voos (São Paulo/Salvador, Salvador/Brasília, Brasília/Boa Vista), um táxi de Boa Vista para Santa Helena, na Venezuela (cerca de duas horas) e um 4×4 de Santa Helena a Paraitepui (mais duas horas). Essa foi a parte fácil. Dali pra frente, fomos movidos à base de superação, cenários deslumbrantes e a certeza de que viveríamos dias inesquecíveis.

 

O passeio durou seis dias, mas há opções de tours mais extensos. Depende apenas de quanto tempo você ficará no topo do Monte. Passamos um dia e meio lá em cima, mas há quem fique mais. De qualquer forma, seja no tour de 6, 7 ou até 10 dias, o trajeto a se fazer é o mesmo. No primeiro dia, andamos 12 km em 4 horas. No segundo, foram 10 km também em 4 horas, pois o caminho inteiro é de subidas. No terceiro são “apenas” 3 km, mas que exigem as mesmas 4 horas, porque é o momento quando, de fato, subimos o paredão, em uma trilha que exige muito mais esforço e atenção do que nos outros dias.

 

Rumo ao topo

O cenário do percurso tem diversas vistas maravilhosas, mas é o grande protagonista do lugar quem, definitivamente, prende a atenção. Desde Paraitepui já é possível vislumbrar o enorme paredão do Monte Roraima que se ergue sob o horizonte acompanhado do Monte Kukenan, ao lado, onde só é possível subir com equipamentos de alpinismo.

A caminhada exige bastante esforço, sim, mas cada qual no seu ritmo, todos conseguem completá-la. Nos momentos de cansaço extremo, com os 11 kg da minha mochila fazendo as costas quase arriarem, era a vista imponente do Monte que me dava forças para continuar em frente (junto com generosos goles d’água).

Fora isso, não enfrentamos grandes dificuldades, porque tivemos sorte com o tempo. Para atravessar um dos rios, por exemplo, pudemos ir pulando de pedra em pedra até chegar à outra margem. Quando chove, a travessia é feita com a água na cintura, segurando uma corda e torcendo para sua mala não ficar completamente encharcada.

 

The Lost World

Ao contrário dos dois primeiros dias de caminhada, no terceiro dia, já na base do monte e a uns 2 mil metros de altitude, a trilha muda da savana para mata fechada. Andamos umas duas horas por ela até alcançar, efetivamente, o enorme paredão com 600 metros de altura. Dali, continuamos por um caminho que vai paralelo ao Monte até chegar ao único acesso do lugar, chamado La Rampa, que parece um verdadeiro portal para o Parque dos Dinossauros.

Ali, o tempo dá indícios de ter parado há séculos. É um cenário que desperta fantasias até no mais cético dos seres humanos. Ninguém fica indiferente. Nesse ponto, você já está há dois dias e meio caminhando com um único objetivo: chegar exatamente onde estávamos. E como se não bastasse, a recepção a todos é feita pela impressionante Flying Turtle. Esta é uma formação rochosa em forma de tartaruga que parece flutuar sobre outras pedras.

Lá em cima, são quase 40 km² de área e uma vastidão de locais para serem visitados e explorados. Nosso primeiro passeio foi para uma caverna que possuía “salões” com mais de 10m² e 4m de altura. Depois, fomos a La Ventana, uma janela para um precipício onde um pequeno escorregão pode custar sua vida. Todo cuidado é pouco. Passamos ainda por vales de cristais, pequenas (e lindas) cachoeiras, lugares que pareciam encantados. Também mergulhamos na “Jacuzzi”, uma piscina natural com fundo de cristais de quartzo.

As paisagens carregam um misticismo sem igual. Além de vistas inigualáveis, o clima é totalmente distinto. Pode estar sol e, em minutos, ficar frio e começar a chover. Às vezes, o tempo de tirar a capa de chuva da mochila era o tempo de parar de chover e abrir sol novamente. Noutras vezes, caminhamos por lugares onde de um lado estava sol e do outro completamente nublado. Não à toa, grandes filmes foram inspirados pelo Monte Roraima, como o clássico “Jurassic Park” e a animação “Up”. Esse lugar mexe com a imaginação.

 

Missão cumprida

Os dois dias de caminhada para voltar a Paraitepui foram regados de muitos sentimentos distintos. Dentre eles, a alegria por ter conhecido um dos lugares mais lindos do planeta. Além disso, a tristeza por estar indo embora. De qualquer forma, hoje, passados alguns meses da viagem, o sentimento predominante é a saudade. Com certeza, um dia voltaremos ao mundo perdido do Monte Roraima.

 

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