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Comida de Avião – alimentos que você consome nas nuvens

comida avião

Fomos conferir a produção dos alimentos que você consome nas nuvens.

“Nas nuvens” talvez não seja a sensação que as comidas de avião proporcionam à maioria dos viajantes. Uns reclamam do sal (a falta dele, na verdade), outros do tempero e há quem embarque com discurso pronto, apontando erros na comida sem nem ao menos saber o que será servido. Gosto não se discute, tudo bem. Mas você já parou para pensar o caminho que aquele frango grelhado ou legumes cozidos fizeram até chegar na bandeja do seu assento? Já tentou imaginar tudo que precisa ser levado em consideração na hora de preparar a comida que poderá ser servida tanto para você, quanto para um diabético, celíaco ou hipertenso?

A tarefa de fornecer os cardápios das companhias aéreas é complicada e envolve uma operação gigantesca, que funciona 24h e conta com milhares de trabalhadores. Na Gate Gourmet, por exemplo, uma multinacional que no Brasil atende 21 cias aéreas, são produzidas, em média, 20 mil refeições por dia – mais de meio milhão de pratos por mês. “Nós temos desde empresas que pedem menus simples, até as mais sofisticadas, como Turkish, Qatar e Emirates”, relata Alessandra Madeo, gerente de contas da Gate Gourmet.

Seja algo simples ou mais elaborado, as etapas de preparo da comida são iguais para todas as companhias, com um único adendo: “atendemos algumas empresas muçulmanas. Por isso, nossa linha de produção é dividida por alimentos Halal (permitidos aos muçulmanos) e Haram (proibidos), respeitando todos os padrões referentes a refeições especiais estabelecidos pela IATA – International Air Transport Association”.

Fora o cuidado de preparar tudo separadamente, para um alimento ser considerado Halal, ele precisa de certificação fornecida por instituição especializada. Alessandra afirma que todo ano a Gate recebe visitas surpresas dessas instituições para vistoriarem a linha de produção, que por toda a parte possui sinalizações das alas e setores Halal. Curiosidade à parte, ela contou ainda que, certa vez, uma dessas cias muçulmanas chegou a fazer uma solicitação um tanto quanto excêntrica. “Pediu que sacrificássemos os animais em nossas instalações, o que foi prontamente negado”.

Outro caso bem particular é atender pedidos de comidas koscher, pois estas precisam, segundo as leis judaicas, ser necessariamente preparadas por um rabino.

Nesse caso específico, quando há um pedido desses, a empresa compra as refeições de um estabelecimento certificado. “É nossa única exceção”, diz a gerente de contas.

Múltiplas dificuldades

Além das questões culturais e religiosas, a elaboração de um menu de avião também precisa levar em consideração as restrições alimentares. Diabéticos, celíacos e hipertensos merecem comer tão bem nos ares quanto qualquer outro. É por isso que, muitas vezes, temos a impressão de que a comida servida pode estar sem tempero ou sem sal. As quantidades utilizadas são mínimas para evitar qualquer tipo de complicação a essas pessoas. “Balanceamos a quantidade de temperos, principalmente, o sal”, lembra Alessandra.

E as complexidades não param por aí. Cada companhia aérea tem seu próprio cardápio, que muda periodicamente. Pelo menos uma vez por mês, na elaboração de novos menus, é necessário levar em conta todas as especificidades já citadas e algumas outras, como: a altura dos alimentos, para caber no espaço reservado dos trolleys (os carrinhos que transportam as refeições pelos corredores dos aviões); a textura, para que os ingredientes não se misturem dentro do prato ou não escorram; e se determinado ingrediente tem a “má fama” de causar flatulências (importantíssimo). Repolho com ovo e feijão, por exemplo, jamais.

A logística também não é nada fácil. A gerente de contas, Alessandra Madeo, sinaliza que existem alguns cuidados. “A Gate fica a 11 km do Aeroporto de Guarulhos e durante esse percurso, que conforme o tráfego pode variar de 30 minutos a mais de uma hora, precisamos manter a temperatura dos alimentos e ter muita atenção com buracos na via ou freadas bruscas, que podem desmontar ou prejudicar a apresentação dos pratos”.

Quando servirem a refeição em sua próxima viagem de avião, lembre-se: por trás do sabor dos alimentos há muito mais circunstâncias envolvidas. A pitada de sal a mais, que talvez você deseje, é tudo que um hipertenso não precisa. E se entre uma garfada e outra, você voltar a pensar nessa matéria, admire seu prato como se ele fosse preparado especialmente para você. Afinal, mais de mil pessoas colocam as mãos na massa 24h por dia, 7 dias por semana, para garantir a sua alimentação, sim, nas nuvens.