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5 amigas, 1 carro e a África do Sul

Sobre 4 rodas, cruzamos o litoral do país Africano de leste a oeste, em uma viagem que deveria ser obrigatória a qualquer aventureira (ou nem tanto).

Tão raro quanto 5 amigas conseguirem sincronizar as férias para uma viagem internacional, é imaginar que dentre tantos destinos escolheríamos a África do Sul. O que nos seduziu foi a possibilidade de visitar savanas, montanhas e praias paradisíacas, tudo no mesmo país. Isso venceu qualquer outra opção que pudesse, minimamente, ofuscar nossa escolha. Paris é batido. Nova York falta vida (vida selvagem, digo). E Austrália seria uma boa opção, mas já morei lá. Estava na hora de conhecer um lugar diferente e deslumbrante. Era a vez da África do Sul.

Partimos de São Paulo rumo a Joanesburgo e de lá pegamos um voo doméstico até Durban, na costa leste do país Africano. Ali, a bordo de um Tiguan que acomodou, milimetricamente, nós cinco e todas as malas, iniciamos, de fato, nossa viagem. Foram, aproximadamente, dois mil quilômetros de carro, dezenas de lugares visitados, safáris e recordações que guardarei para sempre. Afinal, não é todo o dia que temos a oportunidade de cruzar com zebras, javalis e macacos em plena estrada, além de apreciar vistas que parecem ter saído de um quadro de Dali.

Nos primeiros dias, atravessamos a Wild Coast, que é uma área bem menos desenvolvida se comparada à capital Joanesburgo e ao outro extremo do litoral, onde fica a Cidade do Cabo. Esse trecho vai desde Durban até Porto Elizabeth. Como não sabíamos exatamente onde ficaríamos hospedadas, acabamos tendo noites tranquilas e outras nem tanto nesse início de viagem. Mas nada chegou a ameaçar, minimamente, o nosso humor e bem-estar. Com todo o esplendor africano ao redor, poucas horas de sono caíram como uma luva. Afinal, apreciaríamos o que de olhos fechados?

Em certos locais da estrada, para qualquer direção que mirássemos o olhar, eles eram surpreendidos. Creio que isso está relacionado ao choque mágico e impactante que acompanha qualquer início de viagem. Mas essa parte da aventura ficou bem marcada por paisagens sensacionais, principalmente quando o pôr do sol aparecia límpido no horizonte. A impressão ao admirar o cair do dia era que o sol da África do Sul é, consideravelmente, maior que o que vemos na América. É incrível.

Bye Bye, Wild Coast

Em cenários sempre imponentes, terminando a Wild Coast, fizemos o primeiro safári da viagem. Detalhe: com nosso próprio carro! Foi pouco antes de chegarmos a Porto Elizabeth, no Addo Elephant Back Safaris. Já estávamos no país há alguns dias e tínhamos vivido momentos únicos. Mas só ali, diante de girafas e elefantes, que realmente caiu minha ficha de que eu estava conhecendo a África. Ver esses animais, livres em seus habitats, chega a emocionar. É, definitivamente, inesquecível e fascinante.

Saindo da Wild Coast, entramos na Garden Route, cujo destino final é a Cidade do Cabo. Nossa primeira parada foi na praia de Jeffreys Bay, famosa pelas ondas que atraem surfistas do mundo todo e, infelizmente, conhecida também por registrar alguns ataques de tubarões brancos aos banhistas. Sinal de perigo à vista? Jamais. Em uma das praias mais famosas do mundo, foi só calor, sombra e água fresca.

De lá, seguimos para oeste e fizemos mais dois passeios sensacionais. Primeiro, fomos para um parque nacional chamado Tsitsikamma, onde tivemos a oportunidade de fazer várias trilhas a pé, praticar tirolesa e até andar de caiaque. Depois fizemos o nosso segundo safári (desta vez em um carro preparado) para conhecer os “Big Five”, os cinco “maiores” animais da África: leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo. O leão merece destaque, pois além de ver alguns, conseguimos registrar uma fêmea caçando e alimentando seus filhotes.

Fora esses roteiros mais conhecidos, graças ao carro, conseguimos ir para praias e lugares totalmente fora do roteiro inicial e que sequer imaginávamos que existiam. A facilidade de deslocamento ajudou muito nesse sentido. Em uma dessas praias, por exemplo, nem marcas de pegadas havia. Éramos apenas nós cinco, o mar e o irresistível pôr do sol africano.

Passamos alguns dias na cidade e deu tempo de visitar quase tudo. Fomos a uma praia dominada por milhares de pinguins e escalamos duas montanhas que nos presentearam com uma vista 360° da cidade (a Lions Head e a Table Mountain). Também visitamos praias incríveis, vimos de perto a triste história do Apartheid e ainda fizemos um tour por Stellenbosch, região famosa por suas vinícolas.

“Abandonamos” o carro na Cidade do Cabo, voltamos de avião para Joanesburgo e fomos para o Kruguer National Park para finalizar a viagem com mais três dias de safári. É impossível cansar de ver aqueles animais tão impressionantes. Ao todo, em 22 dias de encantamentos e descobrimentos, o nosso único problema realmente difícil foi embarcar no voo de volta ao Brasil e à realidade. Hoje, quando vejo um lindo pôr do sol, sempre penso que, na África do Sul, ele estaria ainda mais esplêndido. Vai deixar saudade.

Cidade do Cabo, aí vamos nós

Em nosso último trecho de carro pela África do Sul, chegamos à Cidade do Cabo. O lugar é um exemplo de união perfeita entre cidade, praias, montanhas e vida selvagem. Aliás, fica a dica: se você for para lá, não tente alimentar os babuínos. Eles são tão belos quanto agressivos. Uma das minhas amigas inventou de jogar uma banana para um deles e por muito pouco isso não nos custou caro. O macaco ameaçou vir em nossa direção e por instantes cheguei a pensar que ele poderia entrar pelo vão do teto solar. Imagina o estrago. Por sorte, ele ficou com a banana.